sábado, 24 de março de 2007 

Audiência

(Qualquer semelhança com fatos reais, podes crer, aconteceu!)

Juiz: Qual o motivo da senhora querer a anulação do casamento?


Lady: Ora, ele quer o "cuzinho"


Juiz (muito constrangido): Senhora, isso não enseja anulação.


Lady (revoltadíssima): Então dê o seu a ele!




Sentença: 3 dias de prisão para a dama pela presença de espírito na resposta.


(*A senhora aí que está muito longe de ser uma ficção é sexagenária e, até que se prove o diverso, muito da distinta... mãe, avó, e de respeitável família)

 

Eis-me sentindo a mim na roda...

(...)
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
(...)

terça-feira, 13 de março de 2007 


Sempre cri que esse negócio de sair de casa e, nem bem saiu, voltar para ver se a porta foi trancada, é paranóia. É ou não é?

Paranóica de vez em quando até pode ser, mas admitir seria muito.
Fui embora. Cheguei a pouco. Tudo em casa. Todas as coisas e nenhuma pessoa além de mim.
E a porta aberta.

quinta-feira, 8 de março de 2007 

"Perdi o bonde da esperança"

O mundo precisa de mais delicadeza, de graciosidade, ou senão, que esses putos sejam ao menos educados.

Um certo alguém* disse que educação é aquilo que fica depois de se esquecer o que aprendeu na escola. E pelo que vejo, nessa terra brasilis não fica é nada.

Numa condução lotada, várias senhoras desajeitadamente se equilibravam de pé. Eu com a mão atochada de livros olhei-as e não sabia a qual ceder lugar. Quase todos os sentados eram jovens e nenhum se dignou a oferecer o assento em que estavam.

Que será que acontece? Estou à véspera de meus trinta, mas tive o prazer de ver moços levantarem-se à sentar as moças. E moços e moças darem espaço merecido aos mais velhos. E isso foi ali, num rincãozinho das Minas Gerais chamado Itabira. Será que o tamanho da cidade é inversamente proporcional à sensibilidade e respeito de sua população?

Voltemos todos ao interior do interior!

Tô-certa-ou-tô-errada?


*O certo alguém foi o Einstein... pelo menos dizem que foi ele quem disse.


Toquemos a lírica dum Drummond! Com vocês:

O homem, as viagens

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver
.

terça-feira, 6 de março de 2007 

Estudo 2
(Loucura por indução osmótica)

 


Estudo 1
(Estampa para Camisas Dunga 2007)