sábado, 25 de novembro de 2006 

Coletivos

"A vida eh mesmo uma caixinha de surpresas". Fiquei deveras sensibilizada com a noticia de que a mae de uma colega do trabalho nao estava bem. Tal era a gravidade do ocorrido que a moca precisou ausentar-se do posto. Numa preocupaçao que transcende 'a mera especulacao, procurei mesmo saber o que ocorria e lamentavelmente nao me surpreendeu saber que nas circunstancias, a senhora de cinquenta e poucos anos, de proporcoes corporeas significativas, ao descer de uma va... ou com nome mais proprio ao evento, de uma besta, estatelou-se no chao e feriu-se com gravidade tal que permanece entrevada numa cama.

Como usuaria do transporte precario chamado propriamente coletivo, tenho que me manifestar. Esses veiculos, apesar do pouco espaco que dispoe em seu interior, insistem em contrariar todas as leis da fisica e, creiam, conseguem. Veja bem, esse converce^ de que dois corpos nao ocupam ao mesmo tempo o mesmo espaço, por exemplo, atesto, certifico e dou a fe que quiserem: ocupam! Alerte-se a comunidade cientifica.

Diuturna e noturnamente transporta-me a conduçao do sitio de trabalho ate proximidades da residencia, sempre dividindo o espaco que ocupo com no minimo outros dois ou tres similares estruturalmente humanos.

E´ fato que com o tempo desenvolve-se certas manhas, recorda-se ensinamentos milenares, como a tal da "lei do mais forte". A contrariar o meio, insisto em embrenhar-me na "besta" sem deixar a pe minha educacao. O resultado disso sao os muito obrigado "por pisar no meu pe", "por prensar-me nos demais", entre outros. E´ sempre uma troca eufemismica de gratidao.

Ao entrar no veiculo o processo de compressao segue os moldes da sardinha, entretanto com um pouco mais de materia bruta, viva e com odores pitorescos que nao condizem com o frescor das manhas. No final da tarde, depois de exaustiva jornada de trabalho, nada mais desafiador que repetir o processo matinal, agora com os animos mais exaltados, tanto do condutor e seu ajudante quanto o dos contendores, tecnicamente chamados de usuarios.

Agora, resgatando o motivo ensejador desse tema: a descida da va. Ao descer e´ preciso ter dotes olimpicos para o salto. Nao raro o veiculo esta em movimento de portas abertas e num vacilo corpos podem ser ejetados precipitadamente. Ocorre tambem de o motorista, sempre muito ansioso por deixar-nos todos nos pontos na hora marcada, arrancar antes que o desavisado termine a descida. Foi nesse espaco infimo que a saudavel senhora passou a enferma. Antes que concluisse o intento de por-se para fora, o afobado condutor partiu levando atado ao carro o vestido da senhora que dividiu-se entre ser arrastada para uma lado ou seguir a inercia que levava seu corpo para outra banda.

O problema, evidentemente, nao sao os transportes lotados e motoristas despreparados meus queridos. Pobre do trabalhador-motorista... pobre da prefeitura que com tantos impostos a arrecadar nao tem tempo de ver essas amenidades... eh tudo culpa da fisica, podem ver que eh!