terça-feira, 26 de julho de 2005 



Quanto mais corro mais trupico (...)
Será qu'inda falta muito pra se achar um sentido ou ao menos o rumo?

terça-feira, 19 de julho de 2005 

Transgredir para amadurecer

Há poucos anos venho tentando deixar de escrever sobre escrever.
Eis que quando penso ter alcançado o intento, pego numa caneta vermelha para anotar uma idéia e... quisera ter anotado, já me esqueci.

E lá vou eu, escrever sobre escrever. É certo que dessa vez é para tratar dum passado recente. Lembrei de minha agitada infância de menina-moleque, em que vivia pelas ruas de calças curtas e camisetas rotas pelas quais sempre tinha uma paixãozinha. Usava até se desmancharem de tão puídas.

Ainda não é aí. Um pouquinho antes desse tempo fui por diversas vezes surpreendida com uma pasta polionda azul, andando adulta entre as colegiais que seguiam para escola.

Era um prazer inefável sentir-me a pequena gigante, achando-me realmente admirada por algum do grupo que sempre dizia linda aquela gordinha bochechuda, com um bico vagabundo pendurado no vestidinho xadrez e com o material debaixo do braço indo para escola.

Na pasta estavam os documentos que meu pai guardava com certo zêlo na parte alta do guarda-roupas, teoricamente inatingível pela infante, mas onde eu escalava diariamente para dormir no maleiro e enlouquecer minha mãe que passava horas me procurando. Só acordava quando ela, sem mais disposição para a "brincadeira", vencia no grito e eu acordava de súbito com o brado de meu nome.

Ah, sobre essa coisa de dormir escondida, um fatinho. Minha mãe numa dessas chegou a chamar a polícia pois já estava exausta de me procurar pela vizinhança, olhar debaixo das camas, quintais e onde mais sua imaginação alcançava. Telefonou para meu pai e contou do sumiço. Ele chegou em casa apavorado, interrompendo seu modorrento dia de trabalho e, ao abrir o guarda-roupas para pegar alguma coisa, caí de cima de uma pilha de travesseiros. É, eu tinha conseguido entrar e trancar por dentro o armário. Dali não ouvia minha mãe chamar. É isso.

Onde estava mesmo? Ah, enfim, a escola! Superada essa fase de querer estudar, abracei um novo prazer transgressor: as canetas! Durante a alfabetização não permitiam o uso das incorrigíveis. Era demais a tentação. Sentia-me elegantemente madura empunhando a proibida caneta e maltraçando bilhetinhos amorosos que escondia debaixo do colchão.

Acabou. Foi disso que me lembrei.