terça-feira, 21 de junho de 2005 

ÓCIOlando

Quando mais nova me olhavam com admiração, como que dissessem (e já disseram): eis aí uma menina da-na-da!

Andava cabisbaixa mas cheia de mim, segura não-sei-de-quê e marchando para onde o vento tocasse. Parece que um furacão passou e eu não percebi.

Agora, descabelada e sem rumo, estou (sou?) confusa.

Com a embaraçada idéia de não ser uma coisa só, fiquei assim, sendo coisa nenhuma.

Fiz o que não podia, o que não devia, o que não queria. E o que sim, fiz quando pude.

E agora? Vou não sei-pra-onde, não-sei-quando e fazer não-sei-o-quê.

Se mamãe pudesse clicar com o botão direito e renomear hoje seria: Srta. INCONSTÂNCIA.

segunda-feira, 20 de junho de 2005 

Destemperada

Certa feita um gracioso professor de medicina legal, citando um sujeito cujo nome não me ocorre, disse que o saber tem que ter sabor. Talvez reine aí a causa de minha deglutição insípida.

O motivo de minha visita por essas paragens: preciso temperar minhas leituras, careço e seco por falta de poesia, de inspiração (...)

Rogo que sugiram algo de (e especialmente com) graça para se ler, ver, ouvir...

quarta-feira, 8 de junho de 2005 

O AR DA GRAÇA

Fui ao banco, assim como acompanhante mesmo, afinal, a única relação que tenho guardado com essa tal instituição chama-se débito. E como ando no descrédito, desempregada, desapegada e irresponsavelmente despreocupada, só faço voltear.

Aconteceu que: enquanto minha "saldosa" colega pagava suas contas eu marchava de um lado pro outro complicando a movimentação dos usuários que tentavam chegar às mesas de envolopes.

Uma jovem senhora, de passo malandro, com seus setenta e poucos anos, dava vigorosos apertos no grampeador que mascava seu talão-de-cheques.
Parou, olhou o objeto de outros ângulos e indagou-me: - não está funcionando? Pronta respondi: - deve estar travado ou sem grampo. Peguei o grampeador vizinho, abasteci o mascador e resolvi o impasse.

Eis a recompensa. Com ares insinuantes e um sorriso maroto ela soltou: obrigada broto (com entonação: obrigáááda brôuto!)

E eu, que tenho vocação e devoção pela senilidade, ainda escuto lisonjeada ressoar naquele tom de gracejo.