Recogitando
Miseráveis reformas!
Desde muito cedo ouço o pac-pac-pac de uma talhadeira bem acima de minha cabeça.
Coloco meia dúzia de anéis nos dedos, carrego no batom e acho que estou pronta para sair.
Antes fui ver o tempo cru. Abri a janela e dei de cara com um vento ártico, horroroso e desconfortante. Merda.
Fecho janela, cortinas e pretensões.
Pac-pac-pac-pac-pac........+, +, +, +... música para fossilizar o momento.
Ai ai... férias solitárias, de uma tristeza seca, descompassada, teimosa.
Penso num pouco de muito que quero e sobre um muito que quero mais (e acho honestamente brega essa frase, mas que se há, parece que tenho um íntimo gosto em ornar com essas perolices certos momentos, sem um pingo-de-vergonha)
Arquiteto saídas mirabolantes onde sempre cabe mais um.
Olho para esse ingrato telefone como o lobo-das-uvas, não queria que tocasse mesmo.
Quit.