terça-feira, 27 de julho de 2004 

 
Recogitando
  
Miseráveis reformas!
Desde muito cedo ouço o pac-pac-pac de uma talhadeira bem acima de minha cabeça.
Coloco meia dúzia de anéis nos dedos, carrego no batom e acho que estou pronta para sair.
Antes fui ver o tempo cru. Abri a janela e dei de cara com um vento ártico, horroroso e desconfortante. Merda.
Fecho janela, cortinas e pretensões.
Pac-pac-pac-pac-pac........+, +, +, +... música para fossilizar o momento.
Ai ai... férias solitárias, de uma tristeza seca, descompassada, teimosa. 
Penso num pouco de muito que quero e sobre um muito que quero mais (e acho honestamente brega essa frase, mas que se há, parece que tenho um íntimo gosto em ornar com essas perolices certos momentos, sem um pingo-de-vergonha)
Arquiteto saídas mirabolantes onde sempre cabe mais um.
Olho para esse ingrato telefone como o lobo-das-uvas, não queria que tocasse mesmo.
Quit. 
  

sábado, 10 de julho de 2004 


Depois de longa e exaustiva procura, acho um abençoado que tinha a pérola musical do indefinível, do gigrotesto, do mais que popular (definido assim por ninguém menos que o próprio), ele: Elyyyyyminar Santos!



Vamos lá, cantem com cara de devassa(o) e libertina(o), entre dentes, olhando para a cachorra...

Quando você vem com essa cara de menina levada pensando besteira
Me dá um arrepio na pele dá água na boca de ficar com você
Você não tem um pingo de vergonha e todo homem sonha
Ter alguém assim, realizando minhas fantasias taras e manias
você vem pra mim
Uma lady na mesa uma looooooouca na cama
na maior safadeza
você diz que me ama
Me fazendo a cabeça
coquetail de loucura, quando você começa
ninguém mais te segura

E mexe remexe se enconsta se enrosca
Se abre se mostra pra mim


sexta-feira, 9 de julho de 2004 




Enfim, pouso minha busanfa em assento com rodas e o desejado encosto. Sigo regalada as orientações ergonômicas. Já não era sem tempo... minha coluna, que já é toda empenada, reclamava providência, se contorcia quando eu fitava o banquinho plástico, dos mais vagabundos, com cancha de quem ficaria horas na frente do computador.

Cama ainda não há, mas pelo menos um colchão hei de providenciar. Emprestado, claro, que também não tenho pé-de-dinheiro. Até pensei em plantar um, mas a coisa tá preta meus caros. Enquanto não rolar reforma agrária, não tenho onde fincar nem o meu pé. Onde cair morta também não tenho, se o mau fado se anuncia, tenho que sentar logo na cadeira nova a fim de não tombar pelo chão.


 


Incorporate co.

Estou sofrendo com um problema: assimilação do contexto. Caso grave, eu diria. Do auto de meus conhecimentos na área, quais sejam, nenhum, posso dizer, seguramente, pode matar.

O caso foi constatado agora a pouco, quando saí do cinema andando em passos leves. O filme, "de corpo e alma", era bem ameno, tinha, naturalmentche, ritmo, sincronia, sem dramas pessoais. Bom para quem tem obrigação de ver (bailarinos em crise, decadentes, aposentados), ou para quem, como eu, não tinha disposição para procurar outra coisa e foi ver um filme que não passava naquele horário e entrou nesse por acaso.

Eis o problema... saio do cinema na ponta dos pés, feito bailarina e do trabalho saio trotando, feito uma mula. E se me topa algum desavisado, cutuca, toma-lhe coice.

Essa conversinha charlatânica é só para endossar minha vontade de mudar de ofício. Quero um onde se não puder pagar de boavida, pelo menos assimile melhores ganhos e menos aborrecimentos.