sexta-feira, 23 de abril de 2004 


Foi assim, quando Deus distribuiu a memória Lúcia Padilha* chegou cedo e se esbaldou. Também cheguei a tempo mas não lembrava pra quê.

* Lúcia Padilha, Padilhão, bôooa, historiadora e comentarista política, professora do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Cândido Mendes. Detalhe, não me lembrava nem do nome da sinistra memorável, tive que correr a ligar pra outra boa e saber qual "a graça" da dita senhora.

domingo, 18 de abril de 2004 


E sabe como fui definida esta semana? Desligada, esquecida, má, egoísta, egocêntrica, complicada, instável. E não é só: gosto mais daquela do que de mim.

Fiquei calada, é inconteste, não sou benta, como diria minha Vó Zinha.

**-**-**

Semáforo aberto, o sujeito cruza sua barca na frente.
Viro aos céus a palma da mão abrindo os braços, num questionamento universal do trânsito traduzido como: qual é, que quer fazer seu jacu?
Ele põe a mão pra fora, faz gesto debochado.
Nao me seguro, faço outro gesto pra ele, mas o meu é mais sucinto, usei um só dedo, o médio.
Agora sim, a troca de cortesias passa pra fase oral.
Emparelhou sua condução, abriu a janela e bradou: Vá fazer uma plástica!
Ainda não entendi isso... Só ser for na buceta de sua mãe (pensei, bem baixinho)...
Mandei a resposta padrão: - Vai pra puuuuulllllllta que o pariu!
Fecho o vidro, rio da nossa babaquice.
Perdi. Nessas horas minha contagem não passa de três. Impaciência do cão.

 

Poesia portuguesa, deleite e I R O N I A

Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto.
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado eu mesmo me contesto.

Se trago as mãos distantes do meu peito,
É que há distância entre intenção e gesto.
E se meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa,
Mas o meu peito se desabotoa.

E se a sentença se anuncia bruta,
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa.

......................................(Ruy Guerra)

 


-Vamos, pare de sofrer.
-E acaso fiz eu escolha?
-Não fique assim...

O coração dispara.
O corpo todo treme.
A carne queima.
O terror do comunicado
é um copo duplo de soda cáustica,
dado assim, puro, à primeira refeição do dia.

Esse ácido desce dos olhos e queima o rosto.
Choro abafado, soluços, desânimo.
Chove dentro. Não há clima para provas, para planos.
Volto ao cais e miro o horizonte.
Metade dos meus olhos estão cobertos d´água.
Outra metade é "ceu".

 


Antecipa-se um incômodo.
Fantasmas assombram.
Esse presságio que não me deixa, sempre acontece.
Ignoro a inquietação, a irritação.

No dia seguinte, agora, veio o tiro.
Acerta em cheio. Agonizo e morro.
Mais uma vida a menos.
Choro minha perda debruçada sobre mim mesma.

domingo, 4 de abril de 2004 




Ando numa fase ECO. Hoje mesmo, enquanto curtia minha preguicite em frente à televisão, assistia sobre tráfico de animais silvestres. Depois que comecei com uma onda de fazer caminhada no "Bosque dos Jequitibás", em meio a uma miniatura de floresta amazônica onde tem onças, capivaras, macacos... acho que fiquei inda mais sensível ao assunto.

Saco eim! Não gosto desses conversês apológicos, mas não consigo digerir aquilo, então, cuspo. Aí vai!

O repórter encontrou três zé-manés que estavam na beira da estrada d'uma cidade chamada "Milagres" na Bahia mercadeando filhotes. Foi ter com os patetas uma conversa para saber como funcionava o mercado. Eles, muito orgulhosos, achando o supra-sumo arrancar dos ninhos os pequeninos e vender a caminhoneiros e gringos que passavam pela rodovia ao invés de se tornarem assaltantes ou assassinos.

Gabaram-se de enganar motoristas desavisados e vender filhotes de periquitos (que fizeram questão de tirar do ninho para mostrar sua destreza na capitura do bicho indefeso) como se fossem papagaios. Eis que a certa altura dessa prosa ulcerática vem a questão: - Se vocês dizem que esse é o único meio de sobrevivência, como vai ser quando não tiver mais animais? - Acá, vô falá um negócio pru sinhô, não acaba não. A gente péga só os fiote, o pai e a mãe fica, e tooooodo ano tem mais.

Arrrrgh! G-e-n-t-e e-s-t-ú-p-i-d-a!!!

fuuuhhhhh...



 



A volta dos mortos-vivos

Enquanto via uma zoeira no alto falante (programa sobre música da Cultura - Rede Minas) vagabundeava pela internet. Num movimento instintivo entrei naqueeeeeele velho blog quando o que tencionava era passar por este para averiguar se algum comentário havia sido deixado.

Para minha surpresa aqueeeeela página estava no ar, com as velhas publicações. Não sei como. Fui eu quem peguei toda potoquice depositada ali e embolei na bagunça de meus arquivos, não deixei nem um rabisco pra trás. E agora? Acauso a internet tá assombrada? Pois a danadinha está aqui, com toda sua laranjice espalhafatosa.

Tsc, tsc, tsc...