Enquanto espero...
Enquanto espero baixar um programa para descomprimir arquivos resolvi fazer alguma coisa para não dormir. Faz frio e minha cama térrea com dois fofos travesseiros e um cobertor são calientemente convidativos.
Um causo... não discuti com o cárcere hoje, mas com uma cidadã ridiculamente indignada. Passava pela praça de atendimento quando fui interceptada pelo ser de cabelos alvoroçados. Quero fazer um beó.
Gentilmente, com a minha voz de moça em trabalho, sentencial, disse: - Senhora, aguarde um instante que o atendente está voltando.
Antes que desse mais um passo rumo ao cárcere, onde interrogaria o mais recém chegado inquilino do Estado, ela novamente se insere. - Mas preciso fazer o Beó a-go-ra! - Lamento senhora, só o plantonista poderá atendê-la, como vê, estou atendendo estas pessoas, num flagrante.
Revoltadíssima olha-me e acerta: - Flagrante, flagrante... vai fazer flagrante lá em casa!
Com a voz mais doce e um sorriso nos olhos respondo pausadamente: - Que pena, acho que a senhora perdeu o ônibus. Mas não se preocupe, faremos o possível para lhe atender com agilidade.
Bufou feito uma vaca brava e eu, depois de pedir licença, retirei-me. Só faltou reverenciá-la.
**Fim**
É, eu sei que fui uma bichinha malvada com aquela "Lady", mas fui tomar ciência do que se passava. Ela havia perdido seu Erregê fazia semanas e estava naquela sangria desatada porque não podia perder o ônibus. Diagnóstico Cacoínico: Caso típico de mulher mal-comida. É, porque a não-comida debocha, a mal-comida, desesperançosa, estressa.
Adios muchachos...