domingo, 29 de fevereiro de 2004 


Em nome

"Em nome da tua ausência
Construí com loucura uma grande casa branca
E ao longo das paredes te chorei"

Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 28 de fevereiro de 2004 


Fuga, em si, menor...

Daqui a exato um mês fico um ano mais distante daquele 1977.

Esse ano não haverá velinhas, só a velhinha, em fuga.

Aliás, fugir é o que melhor aprendi a fazer. Desde os cinco anos mando ver nas minhas peripécias. Conta minha mãezinha que por diversas vezes fugi com uma pasta debaixo do braço, camuflada, no meio da leva que passava em frente a minha casa indo para escola.

Metia um gasto bico na boca, pegava a pasta vermelha de polionda, onde meu pai guardava alguns documentos, e punha-me no meio da massa estudantil, como se me integrasse perfeitamente àqueles gigantes que teimavam em apertar minhas bochechas, achando graça no espetáculo.

Sempre interceptada nas minhas pequenas passadas, resolvi arranjar um meio mais ágil. Peguei meu material e com o vestidinho curto, xadrez, e as pernas gordas pra fora, entrei no ônibus. Já vibrava dentro do mercedão quando a vizinha me catou pela cabeleira de juruna e feito homem das cavernas me arrastou de volta pra casa.

Lá estava eu de novo, de castigo no banheiro, fazendo meus planos para cair no mundo.

De lá pra cá alguma coisa mudou, consegui pegar quantos ônibus quis e escrevo a seissentos quilômetros do lar. A cabeça coça, esfrego os pés e fico apoiada na janela do nono andar admirando lua e estrelas. Rio e tenho uma microcósmica crise, pensando na "dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo".

(...)

Eu eim, essa fase pré-balzaquiana está me deixando melancólica. Xô urucubada! Alguém tem aí uma receitinha pra afastar essa ziquizira?

 


Pra você gostar de mim
(Vital Farias)


(...)
vou levar você pra copa
vou lhe mostrar toda Europa
pra você gostar de mim


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004 

Enquanto espero...

Enquanto espero baixar um programa para descomprimir arquivos resolvi fazer alguma coisa para não dormir. Faz frio e minha cama térrea com dois fofos travesseiros e um cobertor são calientemente convidativos.

Um causo... não discuti com o cárcere hoje, mas com uma cidadã ridiculamente indignada. Passava pela praça de atendimento quando fui interceptada pelo ser de cabelos alvoroçados. Quero fazer um beó.
Gentilmente, com a minha voz de moça em trabalho, sentencial, disse: - Senhora, aguarde um instante que o atendente está voltando.

Antes que desse mais um passo rumo ao cárcere, onde interrogaria o mais recém chegado inquilino do Estado, ela novamente se insere. - Mas preciso fazer o Beó a-go-ra! - Lamento senhora, só o plantonista poderá atendê-la, como vê, estou atendendo estas pessoas, num flagrante.

Revoltadíssima olha-me e acerta: - Flagrante, flagrante... vai fazer flagrante lá em casa!

Com a voz mais doce e um sorriso nos olhos respondo pausadamente: - Que pena, acho que a senhora perdeu o ônibus. Mas não se preocupe, faremos o possível para lhe atender com agilidade.

Bufou feito uma vaca brava e eu, depois de pedir licença, retirei-me. Só faltou reverenciá-la.

**Fim**

É, eu sei que fui uma bichinha malvada com aquela "Lady", mas fui tomar ciência do que se passava. Ela havia perdido seu Erregê fazia semanas e estava naquela sangria desatada porque não podia perder o ônibus. Diagnóstico Cacoínico: Caso típico de mulher mal-comida. É, porque a não-comida debocha, a mal-comida, desesperançosa, estressa.

Adios muchachos...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004 


Todo Vinte-e-quatro

Passaram-se as difíceis 24h do dia 24. E agora, 0h24min, vou me recolher no (des)aconchego de meu colchão-chão-chão, chão-chão-chão!

P.S.'s: Tonterias. Desconte-se, trabalhei toda madruga desse vintequatro e ainda não consegui pregar os olhos nem desligar o ideário.

Ah, a quem interessar possa, dia 07/03/2004, 16h, tem Vélia Duncan e Maria (Ir)Rita no Ibirapuera. Como não poderei ir, cedo minha vaga. Muquiranas, é grátis!

Al.x, magnânimo criador, acertei o tamanho da imagem.

Buruna, enfim, instalei o Dreamwaever, ainda tá de pé aquele ex-paço?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004 


Desculpe(se)

Ele nutre pouca ou nenhuma simpatia por minha pessoa, que se há, considero suas razões. Sem contar que as esculhambações feitas em torno de meu nome durante esses anos (pelo menos das que conheci) eram coerentes. ERAM! :-P Tipo, parei de cumprimentar com aperto de mão, agora estendo a mão e quando a outra vem de encontro, tiro a minha. Sacanagem... ou não.

Enfim, vá lá e leia o conto da Glória escrito pelo Marculino, é bão.

 


Depois de humoremotos, fui até a geladeira, meu oráculo, tentar achar algumas respostas, êi-las: sonhos-de-valsa e suco de pêssego.

Como sempre, faço umas associações bestiais... ouvi saudade d'Amélia, pensei em Amália e lembrei da brilhante interpretação da cantadoira... nem minha imitação de Miriam Muniz supera a sua Amália Rudriguis...

Estranha Forma de Vida
(Amália Rodrigues)

Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais são meus
Que é toda minha saudade
Foi por vontade de Deus
Que estranha forma de vida
Vive este meu coração
Vive de vida perdia
Quem lhe daria um condão
Que estranha forma de vida
Coração independente
Coração que eu não comando
Vive perdido entre a gente
Teimosamente sangrando
Coração independente
Eu não te acompanho mais
Pára, deixa de bater
Se não sabes aonde vais
Por que teimas em correr?
Eu não te acompanho mais



 


Tem dias em que não me reconheço.



domingo, 22 de fevereiro de 2004 


Reine-o-riso!

(...)
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
mas, e o Humour ? ...

Pois sim, que sobreviva o bom e velho humour. Que seria da humanidade, cultivada na benta desgraceira, se não fosse o riso, o deboche, o escárnio, a luxúria, a lascívia, o descaso, o individualismo e o contraponto... amooooor... hummm... meigo.

Dia cinza e chuvoso. Filme, filme, filmes. Cinco de ontem pra hoje. O ciático também dói. A mulher de ferro está enferrujada e inda assim tem que se por na chuva e sair pro trabalho, deveras contrariada com esse ofício, mas, haverei de cumprir estritamente meu dever legal. Rahhh!

Prometi até não me meter com o cárcere...

Eu volto, com toda furmusura e alegria que conseguir cultivar nesse "excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica".

Estou excessivamente drummondiana hoje. E não lamento!

 

Premonições dolorosas...

Acho que o tema do dia deveria ser "os homens, as viagens", mas seja como for, amor, privilégio de maduros, está sempre na roda, está sempre na moda, é.

TOADA DO AMOR

E o amor sempre nessa toada:
briga perdoa perdoa briga.

Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.

Mas, se não fosse ele, também
que graça que a vida tinha?

Mariquita, dá cá o pito,
no teu pito está o infinito.

(Carlos Drummond de Andrade - Alguma Poesia - 1930)

P.S.: ... amor... estou tristinha... e nem é por causa do disco, mas do voador que vos leva.

sábado, 21 de fevereiro de 2004 


Minhas provocações

Agora é certo, minha irmã vai se casar. Depois de cerca de 22 anos sem embrenhar esse corpo num vestido, cogito sobre a possibilidade, vislumbro o perequeté da formosura aqui como madrinha do enlace matrimonial.

Inda que não seja afeita a tal compromisso, quanto menos aos valores religiosos (exceto aqueles ostentados nas ricas estatuetinhas fundidas ou banhadas em ouro, enrustidas em rubi, diamantes, esmeraldas...), o fato é que estou para provocações.

Lá no matão, durante anos (já contei isso, eu sei, mas os recém-chegados não conhecem), ofereceram-me os mais singelos tesouros para que usasse um vestido, uma maquiagem ou qualquer outro adereço verdadeiramente feminino. Vencidas as tentativas de suborno, passaram às chantagens. Perdi incontáveis festas para não ter que me subjugar.

E agora que já desistiram e nenhum valor tem minha resistência, pro bem ou pro mal, resolvo: eu vou pro casório de vestido! Isso mesmo, aquela perua que nunca existiu em mim dá notas de seu aparecimento, fecunda-se no centro do meu útero e sob à cabeça.

Não sei o que esperar dessa minha chegada sub-reptícia em finos trajes, com sorriso mavioso sob o rosto pintado, e o pescoço com falsos brilhantes, mas está dito. Assim seja! Amem!

Até!

P.S.: Aos interessados, considerem-se convidados. :-) É extensivo...

 


Conspirações

Sumi por alguns dias, sufocada entre a rotina pesada de um trabalho que me emburrece e um estudo para o qual não tenho tempo e vontade.

No itinerário entre uma coisa e outra os astros conspiravam. Não sei porque cargas d´água, dois moçoilos vieram cair no meu quintal nessa semana. Primeiro um moreno dos zóio verde, meu vizinho, que todo simpático, convidou-me a sair com ele. Depois, outro moço, esse, louro, de porte até interessante, sorriso bonito, que dizia-se triste por não ter mais tempo para estar por perto e outras "canta(sa)das" do gênero...

Devo estar no cio, não vejo outra razão. Que os inspiraria nessa exuberante figura? Tá certo que corpinho não é dos piores, ostento com graça os braços magrelos, a cabeça grande, orelhas de abano, dentes cavalares, mãos rudes, pés largos, olhos míopes, um narizinho, cabelos grisalhos e ancas largas, nas quais se manteriam dois rebentos quase sem ter que segurá-los.

Isso certamente não está entre os padrões de beleza nem faz parte do imaginário erótico dos "carinhas". Que há?

Se os dois se conhecessem ou tivessem um perfil semelhante, ao menos poderia traçar meia dúzia de hipóteses. Nem isso. Um bancário que adora futebol, outro, publicitário fissurado em Beatles.

Cansei. Não sei o que é, o que há. Nada que me apeteça povoou esses meus dias.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004 


Olho maior que a barriga e barriga menor que a galáxia

Pois sim, quase meia noite e resolvi fazer uma sopa de estrelinhas. Lamentavelmente no pacote não vinha a advertência: "consumir com moderação". Agora estou arroliçada, sentindo como se tivesse engolido todas as constelações da via láctea.

domingo, 8 de fevereiro de 2004 


Interceptação telefônica

- Oi Tico!
- Oie!
- Melhorou?
- Melhorei sim.
- Que você tá fazendo?
- Tô lendo sobre o Matisse, em inglês! (**eu não sei isso, conste-se!**)
- Legal, gosto das músicas dele."
(...)

Não sei ficar sem esse senso de humour! É o tal negócio... :)


La Musique, 1939
oil on canvas
unframed: 45 1/4 x 45 3/8" (114.93 x 115.25 cm.)
Albright Knox: Bufalo

sábado, 7 de fevereiro de 2004 


Nada-com-nada...

Hoje soube d´uma boa, Ele vai se assumir... hum... não seu lado florzinha, esse só Marielisa conhece... então... vai ser Publicetário mesmo. Vai nessa Bicis, você é foda na parada! Pra aligria ser torrencial (brega a palavrinha aqui né? mas deu vontade, taí), só faltava Cacoíne assumir de vez a vocação que também tem na arte de manipular os desejos e suas imagens e se alinhar com nosso amigo. Mostra pra que que tu veio Carurine, tá na hora de mostrar que tem peito! :-)

Mudando de pau-pra-cavaco, por que é que as pessoas somem? Desentoquem-se por favor! Isso é um aviso genérico, certo? Ou quase... se a carapuça serviu, vista-a-a!

E já que não estou falando nada-com-nada... saí do filme "Tiros em columbine" e um advogado (tinha que ser!) quis fazer um comentário inteligente sobre aquilo: "gostei da crítica SUTIL aos americanos". Poooooorra, ele tava falando sério, com aquele ar de quem está emitindo um juízo brilhante e inusitado, de quem deverasmente percebeu sutilidade naquilo. Mas eim? Eu tô doida é? A pinóia do documentário fala da imbecilidade e neura dos americanos armados duma ponta a outra e o ADVOGADO... 1, 2, 3... respira, inspira... ô raça!

Chega... tô com sono. Passei mal o dia todo. Intochicação. O Tico diagnosticou e passou receitinha, mirorei. Quem mandou comer tudo que passa na reta, se deixar, até pé de mesa vai.

Pra cama! Só...

Boa noite moçadoila! Beijos!