sexta-feira, 30 de janeiro de 2004 


Acho que estou entrando numa fase de postagens sucintas, isso merece uma poesia à Gauche:

COTA ZERO

Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?

(Carlos Drummond de Andrade)

 


Cenas da semana...

Sexo, amor e traição, O sorriso de Monalisa, Adeus Lenin, Dogville e Sobre meninos e lobos. Eis a programação animada da vida de uma quase abstêmia sozinha. O primeiro foi global, o segundo água-com-açúcar, o terceiro uma ironia sobre mentiras "históricas" (ou não), o quarto dramático e o último, também, um clichê sobre "julgamentos" e traumas.

E meu sono chegou...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2004 

1, 2, 3, superada a microfasemelancólica.
Confessei e expurguei esse surtinho melodramático.
Assisti às titchia Fátima Guedes e Rosa Passos. Gostei da Fá cantando muito intensa , música carinhosamente recomendada há algum tempo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2004 

Um amor não se espera, penso.
E saio pra rua, dou as caras nos cinemas, bares, boates, pistas de cooper, praças, feiras, exposições, shows.
Olho para todos os cantos, procuro aquele olhar que faça o meu explodir
Não acho. Pura teimosia, nutri falsa esperança de que as coisas poderiam ser fáceis. Mudo de idéia, vou esperar.
Fico em casa à mercê do acaso.
Até agora ninguém bateu à porta, não chegou um e-mail, uma carta, o telefone não tocou, ao menos não pra mim, mas para um tal Moacir dos Santos.
Parece que falta um disco.

sábado, 24 de janeiro de 2004 


E pra felicidade ser completa, não poderia faltá-lo... gosto muito dessa coisa liiiiinda, cheirosa e incoerente (muito mais incoerente que um pé de jaca!)... ou não. Valeu seu Silvio, o SBT hoje, agora, tá shooooow! :-)


 


Ouvi e vi ele cantando isso hoje. Achei pertinente. :-) ... Ah, vale a pena conferir na íntegra o MPBnet, tá linkado aí na minha Felicidade.

Felicidade
(Luiz Tatit)

Não sei porque eu tô tão feliz
Não há motivo algum pra ter tanta felicidade
Não sei o que que foi que eu fiz
Se eu fui perdendo o senso de realidade
Um sentimento indefinido
Foi me tomando ao cair da tarde
Infelizmente era felicidade
Claro que é muito gostoso
Claro que eu não acredito
Felicidade assim sem mais nem menos é muito esquisito

Não sei porque eu tô tão feliz
Preciso refletir um pouco e sair do barato
Não posso continuar assim feliz
Como se fosse um sentimento inato
Sem ter o menor motivo
Sem uma razão de fato
Ser feliz assim é meio chato
E as coisas nem vão muito bem
Perdi o dinheiro que eu tinha guardado
E pra completar depois disso
Eu fui despedido e estou desempregado
Amor que sempre foi meu forte
Não tenho tido muita sorte
Estou sozinho, sem saída, sem dinheiro e sem comida
E feliz da vida!!!

Não sei porque eu tô tão feliz
Vai ver que é pra esconder no fundo uma infelicidade
Pensei que fosse por aí, fiz todas terapias que tem na cidade
A conclusão veio depressa e sem nenhuma novidade
O meu problema era felicidade
Não fiquei desesperado, não, fui até bem razoável
Felicidade quando é no começo ainda é controlável

Não sei o que foi que eu fiz
Pra merecer estar radiante de felicidade
Mais fácil ver o que não fiz
Fiz muito pouca aqui pra minha idade
Não me dediquei a nada
Tudo eu fiz pela metade, porque então tanta felicidade
E dizem que eu só penso em mim, que sou muito centrado
Que eu sou egoísta
Tem gente que põe meus defeitos em ordem alfabética
E faz uma lista
Por isso não se justifica tanto privilégio de felicidade
Independente dos deslizes dentre todos os felizes
Sou o mais feliz

Não sei porque eu tô tão feliz
E já nem sei se é necessário ter um bom motivo
A busca de uma razão me deu dor de cabeça, acabou comigo
Enfim, eu já tentei de tudo, enfim eu quis ser conseqüente
Mas desisti, vou ser feliz pra sempre
Peço a todos com licença, vamos liberar o pedaço
Felicidade assim desse tamanho
Só com muito espaço!

 


Agora com imagem!!!

Enfim as imagens resolveram aparecer aqui. Precisava mesmo de uma assombração para dar cabo dos fantasminhas que não deixavam as coisas funcionarem. E nada melhor que uma foto minha pra isso. Eis aí no post anterior a fufura!

Sem fantasiaar agora, na boa, quem resolveu isso não foi a meiguice da guria, mas D. Raquel. Entrou ali, acolá, aqui, mexeu, remexeu... e pronto, taí o belíííssimo resultado. Muitcho obrigada!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2004 

Realmente meu "humour" está numa fase excepcional. Acho que veio pra ficar.

E a que ponto chega... imagine, esta noite tive um filho onírico. Fiquei com essa criança no colo, um guri muito fofo, de cabelos negros como as asas da graúna, pele alva e um rostinho parecido com o da mamãe aqui quando era um Tico (vide a lindeza da figura).

Claro que meu sonho tava perfeitim; não teve a fase da barriga, nem parto, e a fecundação nem sei. (** a ciência ainda vai chegar na fecundação in dedus **)

Não fosse tão longo o período de abstinência, acordaria com outra coisa na mão que não o meu filhinho lindo. Ufa!



terça-feira, 20 de janeiro de 2004 

...

Hoje acordei com Jessé na cabeça. Com todo respeito ao cantoiro, quem pode? Foi alguma relação mirabolante que minha cabecinha podre fez entre "lenha na fogueira", "saudade", "lembranças tantas" e tal tal tal.

Segundo a consultora musical (Miss Raquets), que respondeu na lata o nome da música logo nas primeiras (des)entoadas minhas, chama-se Solidão de Amigos.

Depois cismei com outra, tinha um "milho" pelo meio, mas não saia nem melodia dessa vez. Achei a danada, era Lambada de Serpente, do Djavan. Essa eu mandei os cacos que tinha na memória e o guuuuuugou buscou.

Aiiiihhh... pronto, agora estou calma, calminha, pensando nos brincos de palavras aqui da tia Rita... gostei disso.


Amor E Sexo
Rita Lee

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte

Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema

Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia

O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão
Sexo é padrão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom...
Amor é do bem...

Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade

Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois

Sexo vem dos outros,
E vai embora
Amor vem de nós,
E demora

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é isso,
Sexo é aquilo
E coisa e tal...
E tal e coisa...


 


Diagnóstico: Musisquisitisse crônica

Ainda sofro daquelas crises de "qual é a música". Para cada palavra, uma música. Não parei com essa murrinha. Só mesmo a Raquets ainda não virou pra mim e disse "vai você" numa dessas. De resto, ninguém tolera.

Uma, talvez duas pessoas, ainda riem e acham que tenho uma memória privilegiada. Mal sabem que isso é um processo osmótico, faz tempo que o cerebelo não trabalha a sério.

E vem a voz lá do útero: "Não canta, não canta".

E sabe qual é a resposta que vem pra isso??? Vem num salto à garganta... "canta canta minha gente, deixa tristeza pra lá, canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar, que a vida vai melhorar"... (**claro, com direito a um batuquezinho descompassado na palma da mão**)

Falou aí o Batuque da Cozinha do tio Martinho da Vila. É nóisss, é novas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2004 


Espelho, espelho-meu...

Essa poesia da Mistral ainda faz voltas na minha cabeça.

Rio sozinha e rio acompanhada de mim mesma, na frente do espelho. Ainda me pergunto se esses dentões podem mesmo sensibilizar alguém. Feito uma macaca fico ali, matutando, será que essa cara feia não assombra mais do que o riso possa encantar?

E olha quem vejo aqui, as espinhas, estão voltando. Mal sinal, aqueles dias horríveis vir.

Nem estou com cara de quem voltou de férias hoje, mas de quem precisa dumas. Tudo de novo, reino soberana em mais um plantão.

Alguém acuda essa escravã, leve-me daqui para outras estancias, me fale amenidades, ou melhor, obscenidades.

À cama que já é hora.

Buenas aos que ficam!

domingo, 18 de janeiro de 2004 


DESVELADA
(Gabriela Mistral)


Como soy reína y fuí mendiga, ahora
vivo en puro temblor de que me dejes,
y te pregunto, pálida, a cada hora:
"¿Estás conmigo aún? ¡Ay! ¡no te alejes!"
Quisiera hacer las marchas sonriendo
y confiando ahora que has venido;
pera hasta en el dormir estoy temiendo
y pregunto entre sueños: — "¿No te has ido?"

 


El fuego

Já tentei mas não achei meios. Tomei litros de suco de maracujá, tomei licores e usei outros subterfúgios... não há o que faça arrefecer meus ânimos. Estou com o sangue e hormônios fervendo, borbulhando, e não acho o que acalme. Não dou conta.

De novo o dia está deslumbrante. Essa alegria pateta ainda se manifesta vigorosa.

sábado, 17 de janeiro de 2004 

Tudo azul

O meu dia acaba de começar. Nu, azulíssimo. Invadiu num rompante o desajeitado aposento e não vou poder continuar escutando Gota D´água, salvo se fechar a janela.

Mas hoje não estou para flagelos psicológicos. Fora do ar desde ontem, só percebi quando comprei uma passagem e esqueci de pegar o troco e tudo que consegui fazer foi me rir.

Há dois dias perdi meu apetite mineiro e ontem consegui passar a meia dúzia de iscas de frango e salada com mussarela de búfula, champingnon, e tomate seco.

E esse rango que outrora me daria mais fome, cessou minha fina dor-de-cabeça e agora só algumas pedaladas para equilibrar a energia acumulada nesse corpo pálido.

Vou colocar minha bicicleta na ativa. Ninguém ouse cruzar meu caminho hoje, estou uma bomba, sou desajeitada e continuo aérea. Do jeito que estou rindo à toa, nem se bater de frente num post(e) hei de perder a "graça".

Um bom sábado aos senhores navegantes!

terça-feira, 13 de janeiro de 2004 

Esvai-se o tempo de vadiagem...

Fim-de-semana cumprindo alguns protocolos familiares.

Depois, num ônibus vazio, mas com cheiro de gente como se estivesse lotado, segui até a rodoviáia. Dali o moço Lino e sua Patroa me levaram num carro de vidros escuros.

Tolerei ser chamada de baranga ondeira na frente da rodoviária. Vai ter volta!

Tudo bem, o cativeiro era bacana, tinha até DVD do fiote da Elis. Atisti enquanto o cabeludo engomava sua roupinha e se aprontava.

Todo mundo ajeitado. Saí­da. Teatro. Saí­da. N?o pagou o safado do olhador de carro.

Massa, massa, massa. Um tal de Fettucine parisiense que n?o acabava mais. A margerita, essa, boa de fato, acabava a todo momento.

Ahhhhh... depois, finalmente foram gravados dois CDs!!! Sim sim sim... depois de muito atazanar a vida do meu amigo ele fez isso por mim.

Ah, e n?o parou por aí­! Ainda recebi uma meia dúzia de cartas. Bom demais eim! Nem se inventarem teletransporte e e-mail telepático eu largo as de papel-e-caneta.

Depois de tantas emoç?es desconfiei até que eu n?o fosse passar de ontem. Acordei meio avariada, mas inteira. Tinha café servido e tudo.

Lixandru, seus fio com a Maleliza v?o ser bunitos sim. Será que eles já nascem de cabelo comprido?

A sensaç?o de fim-de-férias me desagrada. Dessa vez eu n?o pedi, mas me venderam a poltrona 24. Esse é O número.

Será que um SuperAlguém pode dar jeito nessa configuraç?o de fonte pra mim?

Boa noite...

sábado, 10 de janeiro de 2004 


Trocando figurinhas...

Respeitável público...público...úblico... blico... ico... icoooo

Aqui está o template graciosamente feito por meu companheiro de lamúrias, o inefável cabeludo, o beatlemaniac SuuuuuuuperID!

Seguinte, taí­, eu gostei do templeite. Coisa bunita. Sucinta, mas formosa.

É isso, e pronto. E se alguém não gostar, bom, saia do cais e venha aportar aqui em casa, a gente resolve zóio-no-zóio.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2004 

Garimpando aventura...

O dia no interior começa cedo. No primeiro cocoricó pulei da cama. Tinha que tomar o trem e partir de Itabiracity para Antony Days. Depois de quatro anos de estudo achatando a popa num banco d'uma faculdade de Direito, fui urgentemente solicitada por uma tia. Reuni todo teoria e enfiei na sacola, para, no fim das contas, passar o dia comprando torneiras, pias, tanques, seladores e toda sorte de material para dar jeito numa casa em estágio de decomposição.

Arrombar porta, contratar chaveiro, pedreiro, marceneiro, serralheiro. Resolvido. Pronto e acertado. Tudo muito dinâmico e fácil quando o dinheiro não sai desse bolso e vem uma fonte líquida e segura. Eu negociava e a titia fazia os cheques.

No fim do dia saímos de Novera e voltamos para Antony Days. Chovia e a estrada que em tempos normais já é perigosa, estava cheia de armadilhas, das quais alguns não se desvencilharam. Nessa conjuntura titia disse para ficar essa noite por lá, já que pretendia voltar de motocicleta, assim, sairia com mais calma na manhã do dia seguinte.

Como a obediência não é uma de minhas virtudes, montei na magrela e avisei: vai indo pra sua casa titia, daqui a pouco chego lá! Ao chegar no trevo da cidade, num surto máximo de minha loucura, resolvi seguir viagem ao invés de hospedar-me por ali.

Puxei o acelerador ao máximo e fui ziguezageando desviando dos pingos afiados da chuva. Hora ou outra via uma vítima debruçada em meio a ferragens nas curvas da estrada. O corpo estremecia, não sei se só de medo. A noite já estava chegando sorrateira, dissimulada pelas nuvens negras da tempestade que se armava.

Durante o trajeto a motocicleta parou por duas vezes. Na primeira, num lugar movimentado, onde me faziam companhia as dúzias de cruzes deixadas pelos familiares dos que ali jaziam.

Empurro pra cima, pra baixo, manobro, pulo por diversas vezes em cima da moto, ela tosse e não funciona. Subi o mais que pude a serra, empurrando a magrela. Soltei-a morro a baixo e, enfim, ligou. Tomei novamente o sentido da estrada e segui em frente.

Alguns quilômetros adiante parei para telefonar e avisar que estava a caminho. De novo a branquela não cooperou. Deixou-me na mão e eu tive que inventar forças para empurrar mais um tanto montanha acima e descer desembestada para que funcionasse. Sucesso.

Enfim chego na parte pitoresca: estrada de terra, cheia de precipícios, sabia a muita aventura. O lugar não tem pavimentação e tampouco conservação. Estava me sentindo num laboratório para rally.
A noite com um frio polar e negra como ébano cercou minha volta. Enquanto pude andei de pé sobre a moto porque os buracos fundos davam pancadas que a carne de meu traseiro não amortecia. Na chuva e lama abundante deslizava e perdia o rumo da estrada patinando no barro.

Abria e fechava a viseira do capacete procurando meio de enxergar alguma coisa (inda não descobri porque aquilo não tem limpador). Quando raramente passava um carro, a luz era tão intensa que não sabia se realmente era um outro veículo ou se eu já desembocava no paraíso depois de ter me perdido em algum buraco.

Aí ela resolveu parar de vez, e escolheu o lugar. Num vale fundo, na boca do garimpo, conhecido por seus destros atiradores, fiquei empacada. Ali eu, moto, chuva, barro, muito mato e bichos que eu não reconhecia, assim, no escuro.

Nada funcionava. Não tinha um farolzinho sequer que desse sinal de vida. Voltei a sapatear no barro arrastando a motocicleta junto. Esperei e não passava um carro sequer. Só ouvia via os vagalumes passeando pelo mato, alguns latidos ao longe e uns barulhos vindos da mata.

Não tinha sequer vontade de xingar. De rezar muito menos. De repente minha veia malabarística saltou e eu fiquei de pé sobre o biciclo. Coloquei o celular para procurar rede digital e empunhava-o pra cima, como uma espada. Houve um lampejo de sinal e consegui falar o suficiente com meu pai: na boca do garimpo, moto quebrou. Perdi o contato.

Depois de pouco mais de uma hora chega o resgate. Meu pai e minha irmã com seu futuro marido. Abraços e muita adulação. Ainda consegui fazer meia dúzia de piadas depois dessa. Em casa minha mãe esperava com uma saudação clássica: eu não avisei pra não vir de moto?

Tomou? :-P Eu não me privaria dessa aventura... senão, com que preencheria meu monótono diário de férias? Alguém afim de um passeio na minha garupa?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2004 

Fim de festa...

Natal: Dormindo

Réveillon: em Copacabana. A princípio esperava que fosse dar algum caldo. Nada, só aquele que St. Peter mandou. Uma garoa fina que me deixou a sentir frio durante toda madrugada. Depois que acabaram com o foguetório, cascata do Forte e cascata do Meridién, não conseguia sair daquele lugar, andei de uma ponta a outra da orla em passos de procissão.

Sentia-me mal por todos os motivos, uns terrenos outros não.

O telefone celular só apitava, dizia ser impossível chamar; molhada pela garoa fina, com frio, dor nas costas de tanto me encolher, um aperto no coração e uma fome desacompanhada da vontade de comer.

Tudo isso por conta dum diabo duma expectativa de que alguma coisa especial acontecesse. Iemanjá não colaborou dessa vez. Nem arrisquei pular as tais sete ondas. Da última feita saí com um galho de rosa cheio de espinhos travados na sola do meu pé.

E a tal da bruxaria, naquele mesmo ano, feita com lentilhas. Só pedi "a sorte de um amor tranqüilo". Até agora, desassossego. Será que ainda demora muito? Devia ter um 0800 para conferir a posição do meu pedido.
Às vezes parece que essa feitiçaria virou das avessas. Ou será questão de tempo? Eu até tinha dito que não falaria mais naquele velho, mas talvez esteja certo... "amor é privilégio de maduros".

L.

sábado, 3 de janeiro de 2004 


Hora de inaugurar o Cais, convido os mais pacientes, com vocação náufraga, para virem atracar com a conversa fiada.

Esse ancoradouro brotou de minha mente copiativa. Descaradamente confesso que o primeiro sopro da idéia foi chupado da música de Ronaldo Bastos e Milton Nascimento. Gosto dela interpretada deliciosamente por Caetano ou Elis.

Assim, devotada à 3M (Melhor Música do Mundo), tupiniquíssima Popular Brasileira, que esbanja nas entrelinhas, na graça criativa e belas vozes, mostrei ao Tico o primeiro nome.

Com meu espírito ancestral nordestino, quis com todas as forças um nome composto. Varri o dicionário, busquei no tupi-guarani, internacionalizei a idéia, tentei latim, francês, inglês e nada de encontrar o que se encaixasse à idéia de um cais transitório, inseguro, despreparado, despretensioso.

Esgotados meus recursos fui atrás de ajuda. Pedi ao menino Galeto, tentávamos lembrar o nome da corda que segura navio no Cais (não é amarra, é outra coisa da qual até agora não consigo resgatar). Nada.

O Tico com sua refinada despretensão começou a falar descoordenadamente uma série de nomes que se ligavam à minha idéia de precariedade e daí veio "em plano".

Sucinto, mas com toda insegurança e errância que não caberia a um Cais. Em plano está o cais porque nunca vira algum que se tivesse instalado numa ribanceira. Em plano porque não está pronto. Em plano porque é. Em plano por sua rasura. Em plano por errância, por seus equívocos. Em plano porque gostamos da sonoridade.

Que seria de mim sem essas entidades criativas e solícitas, hum? Busquei um lugar para colocar algumas figurinhas e a gentil mademoiselle Bru conseguiu uma caixa para os guardados em lugar além-mar, no reino de Chirac.

A cara do lugar há de contar com um template feito pelo meu amigo Superid, tão bom com as imagens quanto o Tico com as palavras (... só falta eu conseguir convencê-lo de fazer isso).

Por hora, é só. Espero que tenham tido entradas triunfais nessa virada de ano.